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Ser Brasileiro é Ser Diversidade

O que é ser brasileiro? Que DNA cultural nos constitui? E por que diminuímos tanto o que nos enriquece enquanto civilização? Parece que temos vergonha de sermos o que somos! Um povo que nasceu do sincretismo cultural e genético de diferentes povos, oriundos das mais distintas áreas do planeta.

Inicialmente, surgimos do intercâmbio cultural e genético entre os povos indígenas, africanos bantus e portugueses; mas, ao longo de nossa formação sincretizamos ainda mais povos. Integramos a nossa cultura sírios, turcos, japoneses, franceses, holandeses, africanos yorubás, chineses, ingleses, africanos malês, alemães, ciganos e mais uma infinidade de pessoas oriundas do Velho Mundo; que aqui, em território brasileiro se misturaram, se amalgamaram e se amaram; fazendo surgir verdadeiramente o Novo Mundo.


Um Novo Mundo diversificado, não homogêneo, plural, culturalmente rico por seu poder sincretizador. Somos uma civilização única no mundo, onde toda forma de cultura quando entra em contato com a nossa, é absorvida, remodelada e apresentada ainda melhor. Somos a revitalização do Velho Mundo, somos o “upgrade cultural” das velhas culturas.


Não há espaço para purismo no território da Civilização Brasileiro; pois somos puramente sincréticos. Ser brasileiro é ter cabelo crespo, encaracolado, liso, cacheado; é ter o tom de pele que varia do dourado para o amarelo pardo, passando pelo chocolate, o ébano, o vermelho terra; é ter uma musicalidade gostosa em cada sotaque regional, é termos os olhos expressivos, o sorriso franco, os braços estendidos para um abraço. Somos a fé absoluta em Deus, caminhando lado a lado com os conselhos do Preto-Velho, com os passes magnéticos dos Irmãos de Luz, com as meditações Budistas, com os incensos e defumações. Usamos branco as sextas, mas também rezamos o Pai Nosso, tomamos banho de ervas, assim como ofertamos nossos cânticos e danças à Deus em suas mais diversas expressões.


Isso é ser brasileiro. Somos diferentes e essas diferenças são capazes de nos fazer um povo único e sem precedentes na História. Somos novidades na jornada da humanidade. Somos diversidade. E não temos espaço para discursos que ferem a nossa natureza sincretizadora, de supremacia de um de nossos elementos culturais sobre o outro. Não somos “apartheid”! Somos convivência pacífica entre as diferenças!


Somos samba, pajelança, missa, funk, ladainha, bossa nova. Somos frutos do intercâmbio cultural de reis e rainhas africanos, guerreiros indígenas, padres jesuítas, professores malês, comerciantes árabes.


E sim, precisamos nos empoderar de nosso orgulho cultural. Não podemos abaixar a cabeça para conceitos deturpados que ferem a nossa natureza. Precisamos lutar para que todas as nossas nuances tenham representatividade. Precisamos exigir que nossa pluralidade esteja em evidência onde quer que a gente vá. Precisamos ver na mídia, nas empresas, na política, nos tribunais toda a nossa diversidade expressada.


Sim queremos ver uma juíza negra como algo natural. Precisamos ver um executivo transexual reconhecido por sua competência profissional. Necessitamos de um presidente negro, oriundo de uma favela que estudou em colégio público e que batalhou muito para chegar onde chegou e que governará com conhecimento de causa de nossas mazelas sociais. Precisamos olhar para qualquer lugar e ver a diversidade brasileira expressa em todas as suas nuances.


Precisamos encontrar o orgulho de sermos brasileiros. Parar de nos envergonharmos de ser um povo mestiço, e assumirmos que somos uma civilização sincrética. Precisamos nos libertar da escravidão intelectual que nos foi imposta por todos esses anos. Precisamos abandonar a senzala que ainda dita as normas de nosso comportamento.


Precisamos levar o debate para as escolas, para os templos religiosos, para as instituições públicas, para o mundo corporativo, para a mídia, para as artes. E com isso, resgatarmos com muito orgulho tudo o que faz parte do maravilhoso DNA brasileiro. Resgatarmos nossa cultura, descobrir nossos heróis e valorizarmos o que somos. Precisamos conhecer as histórias de Luiza Mahin, Luiz, Gama, Benedito Méia-Légua, Zumbi, Escrava Anastácia, Sepé Tiajaru, Chico Mendes, Santos Dumont, Barão de Mauá, Ana Nery, Bárbara de Alencar, Clara Filipa Camarão, e tantos outros heróis que lutaram em nossa história e nos permitiram ser quem somos hoje e que muito devemos de nos orgulhar.


Ser brasileiro é ser diversidade!


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