Silvestre Nagô

O Lorde Negro

Entre os heróis da Cabula, há um personagem muito importante e de grande importância na preservação cultural. Estamos falando de Silvestre Nagô, escravo alforriado que comercializava a farinha produzida por Negro Rugério e satirizou o sistema escravocrata e a aristocracia rural de São Mateus -ES. Com sua pose de lorde inglês, desfilava pelas ruas do Porto de fraque, bengala, cartola e pés descalços; era comum, identificar um negro alforriado, por este usar sapatos, enquanto os escravizados permaneciam descalços. Como provocação, Silvestre Nagô, mesmo alforriado e muito bem vestido fazia questão de não utilizar sapatos para lembrar a elite que comercializava com ele, a sua verdadeira origem e condição. Quando perguntado, porque não utilizava sapatos, respondia que só se calçaria quando todos os negros pudessem andar calçados.
Segundo a obra de Maciel de Aguiar, há uma fala de Silvestre Nagô que afirma: “um homem sem alegria não consegue lutar pela liberdade, a alegria precisa estar fervilhando para ter força. Se houver só momentos tristes, ele já entra fraco na guerra. Então apesar de todo sofrimento, tanto no quilombo como na senzala existiam as festas, como forma de sobreviver a toda aquela situação ruim”.
O Jongo, o Caxambu, a Congada, a Festa do Mastro de São Benedito, o Ticumbi, o Reisado, a Marujada, o Mineiro Pau, o Boi Pintadinho, a Capoeira e a Dança das Fitas; foram manifestações culturais negras, que foram preservadas graças ao financiamento de Silvestre Nagô, das festas e celebrações.
Sua presença era uma afronta tão grande a aristocracia capixaba, que certa vez, lhe cercaram em praça pública, lhe rasgaram as roupas que ele mandava serem feitas no Rio de Janeiro, ao molde inglês, e o açoitaram em praça pública. Após isso, ele tornou-se um grande investidor nos estudos das crianças negras, para que a resistência cultural fosse mais incisiva.
Silvestre Nagô suicidou-se, jogou-se na embocadura do rio Itaúnas com o mar. Tornando-se um Bakuro associado ao Mahamba Terê-Kompensu.

 

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